LEMBRANÇAS
GAVETAS ABERTAS
Algumas pessoas surgem a todo instante na mente, nos sonhos, na vida, porque? Buscar refazer a vida, formar família, ser feliz, não adianta pois o fantasma do passado insiste em bater a porta quando menos se espera.
Lembranças corroem, machucam, dão a verdadeira sensação de "como seria se", o que faz refletir... oportunidades são únicas. Nunca as perca.
A juventude é inimiga da razão e melhor amiga do impulso e do egoísmo. Age-se impensadamente em causa própria sem pensar nas consequências e amarga-se eternamente com o arrependimento.
A maturidade traz a experiência ganha com os erros, porém nunca a oportunidade de reviver, remendar, apagar e construir tudo como antes, sempre haverá a sombra. A dor. A perda.
Nada trás de volta o que foi vivido e, mesmo que se tenha oportunidade, nunca será como antes, nunca será como SE tivesse agido de forma diferente. Apenas o amor permanecerá, com ele uma corrente que arrasta a dor da saudade e infinitas coisas que jamais, jamais se saberá com o seriam, porque não foram, nunca serão.
Mas o amor permanece, forte e viril.
GAVETAS ABERTAS
Incrível como que algumas pessoas têm o dom de atenuar o defeito de outras. Existem aqueles que quando se relacionam ao invés de fazer o outro melhor, conseguem totalmente o oposto.
Existem aqueles que são tão desqualificados emocionalmente que só conseguem aflorar frustração naqueles que dizem amar.
Quem se deixa levar por tais situações vê sua vida infrutífera, desprovida de qualquer razão. Olha para trás e pensa que não há nada de bom para se relembrar, sente-se perdido em meio à expectativa de futuro. Já está tão habituado em se achar insuficiente que ao se deparar com uma situação oposta àquela do passado, toma um baque, se amedronta e custa a acreditar em sua própria capacidade de ser feliz e construir um futuro que um dia será um passado frutífero.
Porém para contrabalançar existem aqueles que têm o dom de despertar no outro algumas marcas de personalidades há muito engavetadas, soterradas por anos de subjugação e descaso.
Quando se encontra alguém que te faz sorrir no meio do dia, sozinho ao se recordar uma situação casual, ou que te olha nos olhos e te deixa ver a alma, ah... isso sim é mais saboroso que ambrosia.
Aquele que te dá um propósito para acordar, que te cria alicerces tão fortes que são capazes de te fazer tatear o futuro, esse sim é um alguém por quem vale a pena se deixar despertar.
Esse que é tão sublime na sua simplicidade te aflora qualidades, desperta sensações, risos, devaneios, desejo e principalmente... amor.
Infância balzaquiana
Como é bom ser criança! Não ter medo de se arriscar e cair, de tentar e não conseguir.
Saber e acreditar que o simples fato da tentativa é a mola que impulsiona a vida só é possível depois de muitas quedas e fracassos. Crescemos, paramos de nos arriscar tanto quanto antes. Temos medo de cair, temos responsabilidades, temos vidas interligadas às nossas.
Como a gente pode não se permitir a felicidade? Como a gente pode não se arriscar?
Com o passar do tempo, vivências do cotidiano nos acomodam, nos cegam para as pequenas coisas boas que a vida nos oferece.
Pelo simples fato de ficarmos alheios a isso, deixamos de relembrar aquelas sensações infantis.
Quando crianças, somos incentivados a amadurecer e quando isso finalmente ocorre, a nostalgia daquelas emoções à flor da pele é a única coisa que nos resta.
Como é bom, quando criança, sentir aquele frio na barriga ao se balançar no parquinho...experimente fazer isso hoje e verá que o tal "friozinho" ainda existe! Acredite!
Nos relacionamentos afetivos também é assim, depois de um tempo, depois de perdas, frustrações e mágoas, o que quer que seja que brote novamente, causa um susto, um temor, mas por quê tem que ser sempre assim? Porque não se permitir errar? Sofrer? Tal risco vale à pena, se não for o que esperava, mude o foco, divirta-se, ria e depois tente novamente.
Qual graça teria se não houvesse tentativa? A vida é isso, uma eterna busca pela felicidade.
Mas na verdade, felicidade como recompensa é uma maneira errada de se buscar, pois a verdadeira felicidade está na busca! É como percorrer uma estrada procurando justamente por ela!
Se permita viver! Deixe-se ter emoções, são elas o elixir da longa vida!
Você está vivo!! SE PERMITA SENTIR, SE PERMITA VIVER!
Olga Chaves em 25/11/2011 01:49h
Às vezes ficamos pensando porque a sorte bate à nossa porta e não sabemos agarrá-la... tudo parece tão simples não é?
Você sonha em ter algo, luta e consegue. Bacana!
Mas em relação aos sentimentos é diferente. Vem sem luta, apenas brota do coração. Porque então não regar, zelar pelo que se tem? É tão raro!
Mas sabe o que é ainda pior? Encontrar e não valorizar, certamente não há outra escapatória senão lamentar depois.
Depois quando estamos do outro lado da linha, quando somos nós somos o alvo da "desvalorização sentimental" resta aquele sentimento de agonia, tristeza.
Mas essa agonia não é por ter sofrido, é pelo fatal arrependimento que o "carrasco" sentirá quando mais uma primavera se for e os anos começarem a pesar sobre seu corpo desprovido de amor.
A velhice chegará e com ela a solidão, então num fim de tarde chuvoso, quando estiver solitário em seu refúgio pensará: um dia tive uma "pequena", eu poderia ter sido feliz... e hoje ela poderia estar aqui comigo, cuidando de mim, compartilhando tudo que teríamos construído juntos.
Infelizmente o destino se cumprirá, as pessoas que aparecem em nossa vida terão sua parcela de culpa na formação do nosso futuro. Então leitor, se tiver a oportunidade de ser feliz ao lado de alguém que ama, não pense duas vezes. A "sorte", o "destino", ou o que quer que seja, não costuma bater duas vezes na mesma porta.
Tudo tem o seu porquê.
Seja feliz!
OLGA CHAVES 25/02/2010 22:50h